COUNANI – UMA REPÚBLICA FANTASMA


COUNANI – UMA REPÚBLICA FANTASMA

Onde hoje temos os Estado do Amapá, havia antes a pouco conhecida República "fantasma" do Counani. Declarada zona neutra pelo Tratado de Lisboa em 1700, dizia-se que a região não tinha habitantes.

Em 1841, novamente, decidiu-se que a região permanecia sendo uma zona neutra entre o Brasil e a França. Na região, entretanto, existiam índios e algumas vilas com habitantes provenientes das prisões de Cayenne, escravos fujões e aventureiros perdidos. Na vila de Santa Maria de Counani, a 27 km da costa Atlântica , existam cerca de 30 barracas com cerca de 300 pessoas.

Em 1885 um francês, Jean Feréol Guigues e um suíço, Paulo Quartier, chegaram à Counani e afirmaram ter detectado uma importante jazida de ouro.

Para explorar a jazida, Guigues voltou à Paris e contatou Jules Gros, escritor, ensaísta, geógrafo, conselheiro municipal e membro de diversas sociedades para reunir fundos.

Gros reúne um grupo de investidores franco-britânicos que criaram a Companhia com um capital de 750.000 Francos, dos quais 10% foram separados para o retorno de Guigues à Guiana.

Na época 75.000 Francos era uma quantia enorme e Guigues percebeu que era mais fácil garimpar ouro na Europa que na Amazônia.

De volta à Guiana, Guigues convenceu o Capitão Trajano Supriano Benitez, autoridade local, a fundar em Counani um "Estado Independente".

No dia 23 de julho uma Assembléia Geral com Guigues, Quartier, Benitez e capitães em outras vilas, definiu na Ordem do Dia : A definição do governo de Counani.

Louis Boisset, um jornalista, foi empossado Cônsul Geral, Aimé Jean, Ministro da Educação e Cultura, Jules Gros o Presidente e para produzir os selos postais, fiscais J.B.Moens.

Um novo estado precisa uma Constituição, Bandeira, Hino Nacional, Dinheiro e claro selos postais.

BANDEIRAS DA REPÚBLICA DE COUNANI

DE 1887 ATÉ 1891

1890

DE 1904 ATÉ 1912

INTERESSANTE: A idéia de criar um país em uma zona declara neutra já havia surgido em 1874 por Prosper Chaton, Cônsul da França no Brasil, que se auto declarou Presidente de Counani. Este, viciado nos jogos de cartas, perdeu o GRANDE PAÍS, mas o vencedor nunca se interessou por Counani.

Em 1887, Guigues, de volta à Paris, aproveitou o vaidoso Jules Gros, tornando-o Presidente e fazendo-o promover COUNANI, com peças de teatro, cartazes e na imprensa.

O jornal oficial de 11 de setembro de 1887 colocou as idéias no lugar, afirmando que a nova República e sua Independência não apresentava fundamento jurídico internacional e constituía uma violação dos direitos da França e do Brasil.

Guigues amedrontou-se e declarou que Counani era uma pequena colônia que seria protegida pela França. Gros, entretanto, defendeu seu título com unhas e dentes e no dia 2 de janeiro de 1888 assinou um contrato com a Cia Guiana Syndicated Ltd., cedendo todos os direitos de completa exploração do Counani.

O grupo de investidores, liderado por Alexandre McDonald, mas sabendo do não reconhecimento, logo voltou atrás.

Jules Gros visitou o local e percebeu a trapaça. Morreu em 1891 e sustentou seu título até a morte: Presidente da República de Counani.

Um jornal escreveu: "A República de Counani foi uma república parisiense limitada a leste pela Faubourg Montmatre, a oeste pela Rue Druot, ao sul pelo Teatro Vaudeville e ao norte pelo Café de Madrid.

Foi nesta porção de Paris que nasceu e morreu. Curiosamente é justamente nesta região de Paris onde estão os comerciantes filatélicos.

Após a morte de Jules Gros, entrou em cena Adolphe Brezet. Foi soldado na Guina aos 26 anos e como o antecessor era muito vaidoso. Levou o cargo a sério e emitiu os selos na seguinte ordem:

1ª Série em janeiro de 1893

2ª Série em junho de 1893

Correio Oficial em agosto de 1893, com sobrecarga (6 valores)

4ª Série em setembro de 1893 - Taxas, Registro

OS SELOS DE COUNANI

Os selos de da falsa República de COUNANI, foram alvo de muita especulação.

Foram também falsificados em grande quantidade. Não se conhece envelope autêntico e circulado com selos de Counani.

Finalmente em 1894 o OURO é encontrado em Counani (cerca de 4 toneladas).

A França e o Brasil entraram em confronto pela área. Benitez, representante francês na região, foi preso pelos brasileiros em maio de 1895.

A França replicou enviando uma canhoneira que abriu fogo, matando 60 brasileiros. No conflito morreram 7 franceses e 20 ficaram feridos.

A região em disputa foi levada à Arbitragem Internacional e o Presidente da Confederação Helvética, Walter Hauser, atribuiu em Berna a região ao estado brasileiro em 1 de dezembro de 1900.

Mesmo assim Brézet não desistiu. Emitiu selos fiscais em 10/1903 e do Tesouro em 1/1905, todos sem a palavra República.

O dinheiro auferido com a venda destes selos foi empregada para retomar o estado de Counani. Com apoio inglês, espanhol e colonos ele montou um exército e em 1908 fracassou na retomada da região. Ele deixou a pseudo-presidência em 1911 e seu sucessor foi Jules Gros Jr, que acabou esquecido.

Hoje, Counani é apenas uma lembrança que faz parte da História do atual estado do Amapá, cuja capital Macapá é a única capital brasileira no Hemisfério norte do planeta.

Ficaram como lembrança os selos de Counani, pois a filatelia guarda, resgata e ensina.