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Um brasileiro recebe o prêmio máximo na London 2000 e por aqui ninguém fala nada.
O BRASIL CONQUISTA A LONDON 2000 Último dia, domingo. Final de tarde e a maioria já retirava os objetos dos armários de metal. Eu recebi a visita do Everaldo Nigro, que sorridente disse-me ter sido a sua coleção agraciada com o primeiro lugar da exposição. Ele já merecia esta premiação na Philexfrance, mas só na London 2000 foi que se fez justiça. Na hora fui convidado a ir a um típico pub londrino para a celebração. Foi um final de noite muito bom com o Everaldo, eu e as respectivas esposas. De novo lamentei que no Brasil uma conquista deste tipo passa sem que ninguém noticie. Claro que não noticiam, pois os jornais televisivos e impressos só trazem notícias ruins. Vivem disso. O ARMÁRIO Na manhã seguinte peguei o metrô e fui retirar o valioso material que eu havia levado. Eu tinha muitas preocupações, pois uma importante coleção da Guerra do Paraguai estava consignada. Valia um fortuna. Aliás eu carregava uma imensidão de peças consignadas e se isso sumisse eu não teria condições de arcar com os pagamentos. O salão era amplo e eu havia adquirido uma mala enorme para buscar o material. Ao entrar no recinto fiquei lívido. Meu coração disparou, quase desmaiei. Suava frio. O recinto estava vazio. Nada de armários, ninguém à vista e eu lá com a mala vermelha num país estranho. E agora.... Fui até a administração do edifício e logo vi a polícia. Nervoso as palavras quase não saiam. Eles riram um pouco e logo um deles veio dizer-me que sabia onde estavam os armários. Eles eram grandes, de metal e com prateleiras. Entrei no recinto e lá estavam centenas de armários, encostados porta comporta. Era preciso empurrá-los e abrir um por um, cada qual com a sua chave. Foi trabalhoso, mas ao final de algumas horas descobri......que o meu material não estava em nenhum armário. Fiquei mais branco ainda, pulso acelerado, nervoso já prevendo o futuro. O responsável então disse-me: Mister, temos um segundo depósito de armários. São mais de 500 e todos eles não cabem aqui. Ufa, pensei. Lá vamos nós. No outro depósito comecei de novo o longo trabalho de arrastar armários e num dos primeiros senti o peso. Era ele, o meu armário. Ansioso abri e meus olhos brilharam. Alegria, lá estava tudo. Saí feliz da vida e jurei não levar nunca mais nenhuma consignação em exposições, ou melhor, participar delas com um stand. Vou esquecer do comerciante filatélico alemão malcriado (aliás seria difícil encontrar um bem humorado) que na Ameripex 86 falou a meu respeito em tom depreciativo por ser brasileiro e não ter um stand naquela exposição. O que ele não sabia era que eu entendi o que ele falou, mas não respondi como devia. O famoso "a é é". Posso dizer que não fiquei triste quando em 2007 li que a empresa do alemão (o mal humorado) quebrou. Lá existem tantas lojas e também filatelistas bem humorados, sem carregar o ranço original da raça (eu faço parte dela e posso falar).
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